Sobre

Duas paixões que tenho: línguas e poesia. Aliás, justo dizer que minha paixão por línguas veio através da paixão pela poesia… Ao ler poemas traduzidos de outros idiomas, me vinha aquela impressão de que eu poderia fazer diferente – não melhor nem pior, só diferente – o que me levou aos exercícios de tradução, lá pelos meus vinte e tantos anos, tendo inglês e espanhol como línguas-fonte.

Tais exercícios foram despertando em mim um prazer em decifrar – não é isso a tradução? E decifrando fui me identificando cada vez mais com as “soluções poéticas” dos textos, fugindo da rigidez imposta pelo sentido literal das palavras para valorizar as características poéticas (rima, métrica, ritmo) e culturais (contexto social, cultural e antropológico) da língua-alvo.

Logo a curiosidade por outras línguas me tomou, e o francês e o italiano rapidamente passaram a fazer parte do meu repoertório. Mais tarde o japonês, que consequentemente me trouxe o chinês. Depois o russo, que me proporcionou o contato com línguas do alfabeto cirílico, e com a minha mudança para a Europa, meu horizonte se expandiu ainda mais, e logo estava flertando com o búlgaro, o sérvio, o mongol, o uzbeque e o checheno, o polonês, o irlandês, o árabe, o grego… sem falar das líguas e dialetos falados na Espanha, os diferentes tipos de italiano Itália adentro, as particularidades do português e suas sub-línguas anciãs, os diversos dialetos alemães, o francês crioulo, etc, etc e etc.

Aí me perguntam:

— … mas você fala Basco?

— Não, respondo.

— Você fala Persa?

— Nem em sonho…

Aí, com aquele ar de desconfiança, disparam:

— Então como você pode traduzir dessas tantas línguas que você não fala?

Simples. Basta ter em mãos as ferramentas do meu famoso Kit básico para traduzir poesia de uma língua que você não fala ou não domina (língua-fonte) para uma língua que você domina (língua-alvo)!
Confira:

Essenciais:

  • Dicionário língua-fonte – língua-fonte
  • Dicionário língua-fonte – língua-alvo
  • Dicionário de verbos da língua-fonte
  • Compêndio gramatical da língua-fonte
  • Conhecimento social e cultural do país, da época e do autor

Desejável:

  • Alguém que fale a língua-fonte para trocar idéias

Munido disso camaradinha, mais paciência e uma certa adoração por quebra-cabeças e decifração de códigos, basta ser poeta! Voilá!

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