A Aniquilação do Nada ~ Thom Gunn

Nascido William Thomson Gunn em Gravesend, na Inglaterra, Thom Gunn (29/08/1929 – 25/04/2004) foi um poeta anglo-americano, elogiado tanto por seus primeiros versos ingleses, associado ao grupo literário The Movement , quanto pela sua poesia mais tarde nos Estados Unidos, quando adotou um estilo mais livre de verso. Ao trocar a Inglaterra por San Francisco, Gunn tornou-se abertamente gay e passou a escrever sobre temas relacionados ao homossexualismo – particularmente em sua obra mais famosa, O Homem com suores noturnos, de 1992 -, bem como ao uso de drogas, e boemia, seu estilo de vida. Gunn recebeu vários prêmios literários importantes ao longo de sua carreira. Morreu de overdose de metamfetamina em sua casa no bairro de Haight Ashbury, em San Francisco, EUA.

A Aniquilação do Nada

Street Art – Nothing, Nevada
by Overunder & Yale Wolf

Nada restava: Nada, devasso nome
Que ensaiei todas as noite até entrar em transe
Em um sono obscuro, sonho que sono consome.

Nisto uma enorme ausência suspende,
Mais espaço que espaço, entre nuvem e limo,
Definido pelas oscilações de seu alpendre.

Entregue às viravoltas cruéis do relógio,
Cujo extremo eu conhecia, acordei sem desejo,
E aceitei zero como subterfúgio.

Mas agora destroçam-se imagens-bombas em fogo
Na esfera tranquila onde a tolerância reinava,
Revelando a terra arrendada ainda em seu todo:

O poder que antevi, e que me guiava
Derradeiro em suas devastações amorfas,
Era simples mudança, cada átomo que quebrava

Definia, por simples acaso, novas normas.
Uma finitude infinita, é o meu porvir
Dessas variações de encantadoras formas.

É o desespero de que nada não possa existir
Que chameja em minha mente a mancha imensa
Do temor.
Olho para cima. Nem ficar nem partir,

Despropositada matéria no escuro suspensa.

The Annihilation of Nothing

Nothing remained: Nothing, the wanton name
That nightly I rehearsed till led away
To a dark sleep, or sleep that held one dream.

In this a huge contagious absence lay,
More space than space, over the cloud and slime,
Defined but by the encroachments of its sway.

Stripped to indifference at the turns of time,
Whose end I knew, I woke without desire,
And welcomed zero as a paradigm.

But now it breaks—images burst with fire
Into the quiet sphere where I have bided,
Showing the landscape holding yet entire:

The power that I envisaged, that presided
Ultimate in its abstract devastations,
Is merely change, the atoms it divided

Complete, in ignorance, new combinations.
Only an infinite finitude I see
In those peculiar lovely variations.

It is despair that nothing cannot be
Flares in the mind and leaves a smoky mark
Of dread.
Look upward. Neither firm nor free,

Purposeless matter hovers in the dark.

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Thom Gunn, “The Annihilation of Nothing” from Selected Poems. Copyright © 2009 by Thom Gunn. Reprinted by permission of Farrar, Straus and Giroux.


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