O Despertar de Tião Fuméca ~ [Anônimo]

Dizem que “Finnegan’s Wake” de James Joyce não passou de uma brincadeira do autor, e ele simplesmente vomitou palavras sem muito sentido e conexão, e se deliciou de rir ao receber elogio dos críticos, classificando a verborrágica novela de uma obra de arte da literatura contemporânea.

É difícil identificar uma trama em Finnegans. Só sabemos que é um tema de ascenção e queda, e muitos estudiosos defendem a forte analogia – não só do título – a uma velha canção irlandesa, chamada “Tim Finnegan’s Wake.”

Publico aqui uma “transcriação livríssima” desta canção, símbolo do ciclo universal da vida, quase totalmente traduzida por Souzalopes, com uma pequena colaboração minha.

 

O Despertar de Tião Fuméca

1.
Na rua que anda, Fuméca morava
Pedreiro baiano, pra lá de estranho
Doido de pedra, a língia enrolava
Ganhava seu pão com pá e gadanho.
Tião era assim, ele só tinha um fraco:
Nasceu pra beber, mamava cachaça,
E só trabalhava enchedo o seu caco,
E já de manhã, mandava manguaça.

refrão:
Gandaia! Gandaia! Chama o parceiro,
E samba no chão, arrasta o sapato.
Eu falo a verdade, aqui no terreiro
Fuméca acorda e arma o barraco.

2.
Um dia ficou bebinho de souza
E caiu da escada, o corpo a dançar.
A testa no chão lascou feito louça.
E o levaram pra casa, para o velar.
Num limpo lençól, tão branco que alveja,
Ficou o coitado, morto na cama.
Deixaram nos pés barril de cerveja,
Na cabeceira, garrafa de cana.

refrão

3.
Vão os amigos o corpo velar
A velha pra todos serve o café:
Bolo e bolacha, cuscus e jabá.
Todos fumando, tomando seu mé.
Maria Moreira, gritando já chora:
“Quem foi que já viu defunto tão lindo?
Tião, seu danado, qual morte tem hora?”
Joana responde: “Calada! Saindo!”

refrão

4.
Teca de Tonho falou quase louca:
“Caralho Maria, chega de merda!”
Maria meteu-lhe a cinta na boca,
Jogou-a no chão, de pernas abertas.
Aí teve início o conflito geral –
Homem com homem, mulher com mulher.
Pra toda a cidade foi um carnaval,
Sangue no prato, em garfo e colher.

refrão

5.
Mirco Marrudo quis emendar o assunto
quando quase recebeu uma garrafada da marvada
desviado a tempo, a bixa deu direto no defunto
que além de morto tinha agora a roupa encharcada.
“Vixe! Reviveu!” exclamaram” “Olha como ele reviveu!”
E Fuméca pula da cama, meio que sem eira nem beira
garrafa numa mão, copo na outra, esclareceu:
Um brinde ao diabo… vim tomar a saideira!

refrão

Tim Finnegan’s Wake

1.
Tim Finnegan lived on Walker Street
A gentleman, Irish, mighty odd;
He had a brogue both rich and sweet
And to rise in the world he carried a hod.
Now Tim had a sort of the tipplin’ way
With a love of the whiskey he was born
And to help him on with his work each day
He’d a “drop of the cray-thur” every morn.

Chorus:
Whack fol the darn O, dance to your partner
Whirl the floor, your trotters shake;
Wasn’t it the truth I told you
Lots of fun at Finnegan’s wake!

2.
One mornin’ Tim was feelin’ full
His head was heavy which made him shake;
He fell from the ladder and broke his skull
And they carried him home his corpse to wake.
They rolled him up in a nice clean sheet
And laid him out upon the bed,
With a gallon of whiskey at his feet
And a barrel of porter at his head.

Chorus

3.
His friends assembled at the wake
And Mrs. Finnegan called for lunch,
First they brought in tea and cake
Then pipes, tobacco and whiskey punch.
Biddy O’Brien began to bawl
“Such a nice clean corpse, did you ever see?
“Aye Tim, mavourneen, why did you die?”
“Arragh, hold your gob” said Paddy McGee!

Chorus

4.
Then Maggie O’Connor took up the job
“O Biddy,” says she, “You’re wrong, I’m sure”
Biddy she gave her a belt in the gob
And left her sprawlin’ on the floor.
And then the war did soon engage
‘Twas woman to woman and man to man,
Shillelagh law was all the rage
And a row and eruption soon began.

Chorus

5.
Then Mickey Maloney ducked his head
When a noggin of whiskey flew at him,
It missed, and fallin’ on the bed
The liquor scattered over Tim!
The corpse revives! See how he raises!
Timothy rising from the bed,
Says,”Whirl your whiskey around like blazes
Thanum an Dhul! D’ye think I’m dead?”

Chorus


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