Natureza Morta em Innsbrucker Strasse ~ Antonio Cisneros

Antonio Cisneros, por Iván Palomino

Poeta e romancista peruano, Antonio Cisneros nasceu em Lima em 1942. Estudou literatura na Universidade Católica de Lima, de 1960 a 1964. Doutorou-se em na Universidade San Marcos. Seu volume de poesia Destierro saiu em 1961 e é hoje considerado como um dos clássicos da latino-americana poesia lírica. Cisneros alcançou o auge em 1968 com a publicação de Canto Cerimonial Contra Un Oso Hormiguero, para a qual foi homenageado em Havana com o prêmio Casa de las Américas. Desde o final do anos 60 ocupou inúmeros postos de ensino temporários em universidades internacionais, o que lhe proporcionou longas estadias em diversos países. Publicou vinte coletâneas de poemas líricos e duas obras em prosa, que foram traduzidas em cinco línguas. Em 2000, Cisneros foi premiado com o Prémio Internacional Gabriela Mistral, no México, pelo conjunto de sua obra. Atualmente Cisneros vive e trabalha em Lima, onde desde 1996 é responsável pelo programa de rádio diário La Crónica Del Oso Hormiguero.

Natureza Morta em Innsbrucker Strasse

Eles são (por excelência) trintões e com fé no futuro.
Muita fé.
Ao menos é o que parece pelo que compram
(tudo caro e à prestação).
Jaqueta de camurça (natural)
Mercedes esporte cor de ouro.
Para piorar ainda mais (os meus problemas) são abençoados com a eternidade.
Correm todas as manhãs (sob as tílias)
pelas trilhas do parque, com suas coisas saudáveis.
Ou seja, vegetais crus e sem sal,
arroz integral, água mineral.
Após consumirem todo o oxigênio da vizinhança
(o seu e o meu)
passam pela minha porta (belos e bronzeados).
Me olham (se é que me veem)
como se fosse um morto
com o último cigarro entre os lábios.

Naturaleza Muerta en Innsbrucker Strasse

Ellos son (por excelencia) treintones y con fe en el futuro.
Mucha fe.
Al menos se deduce por sus compras
(a crédito y costosas).
Casaca de gamuza (natural),
Mercedes deportivo color de oro.
Para colmo (de mis males) se les ha dado además por ser eternos.
Corren todas las mañanas (bajo los tilos)
por la pista del parque y toman cosas sanas.
Es decir, legumbres crudas y sin sal,
arroz con cascarilla, agua minerales.
Cuando han consumido todo el oxigeno del barrio
(el suyo y el mío)
pasan por mi puerta (bellos y bronceados).
Me miran (si me ven)
como a un muerto
con el último cigarro entre los labios.

[ in Monólogo de la casta Susana y otros poemas. Lima, 1986 ]


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