Para se ganhar um jogo ~ Ivan Donn Carswell

Ivan Donn Carswell nasceu em 1945 na cidade rural de Gisborne, Nova Zelândia. Desde muito cedo se encantou com o poder da palavra escrita, abraçando a poesia tão logo pôde manejar a caneta com desenvoltura, e o que no início era apenas um leitor voraz e um escritor regular, embora entusiasta, passou a ganhar prêmios ao longo dos anos. Com a chegada da guerra do Vietnã Ivan se alista no exército, que serviu por 21 anos., saindo em 1988 como Diretor de Pessoal. Para ganhar a vida foi consultor, empreiteiro e até produtor de abacate. Atualmente vive e escreve em Peachester em Queensland, Sul da Austrália. Sem livros publicados, Ivan teve uma peça sua encenada por um grupo de teatro amador. Atualmente Ivan se dedica mais à poesia, e vem conseguindo manter o lema auto-imposto de “um poema por dia”, que segundo ele, pretende continuar “enquanto a paixão me mover, e a artrite permitir!”

Para se ganhar um jogo

Como você pode ganhar um jogo de futebol? Não só na habilidade ou com jogadas inteligentes,
hoje em dia as coisas mudaram muito, e novos atores com seus truques sujos
é o caminho para a glória. A boa forma ajuda muito a manter
a agilidade dos pés e a clareza das idéias, e alimentos especiais
e bebidas energéticas colaboram na recarga das baterias quando elas estão fracas ou já pifaram.
Mas os árbitros são certamente os principais responsáveis por todas as grandes vitórias.
Truques linguísticos nas tirinhas futebolísticas são acompanhadas por
hieróglifos de técnicos vestidos em seus ternos,
coração na mão, lamentando as chances perdidas, resmungando
com o árbitro dos lances que ele viu ou deixou de ver, das jogadas que não
chamaram sua atenção, decisões precipitadas e julgamentos equivocados.
E os árbitros são igualmente importantes tanto no fracasso como no sucesso.
E há também a torcida, em total ebulição de atitude e energia,
latindo para o seu time, vivendo um sonho plástico e cinematográfico
de vida ou morte, vestida a caráter e torcendo, bebendo, cantando,
hinos e canções que expressam as esperanças e os medos das massas
encurraladas na servidão, rogando por uma vitória, rezando o terço futebolístico.
Mas os árbitros são os temas preferidos de todas as orações e louvores.
Como é que você ganha? Por que você se importa? Há encenação por toda parte,
um jogo ensaiado para o palco, sôfrego e banal, puro desespero,
atores interpretando papéis e lendo seus textos de características humanas, protagonistas,
antagonistas, retratando personagens galantes e de falsos talentos,
está tudo empacotado lá, emaranhado na caduquice do árbitro, então sorria
e engula isso amigo, podes crer, tudo fica bonito na TV.

To win a game 

How do you win a football game? Not by skill alone or clever plays,
in modern days the game has changed and subterfuge and actors
ways will pave the path to glory. Fitness pays a fair reward to keep
a fleetness in the feet, a clearness in the head, and special food
and clever drinks recharge the cells when batteries are low or dead.
But referees are certain keys to all the famous victories.
Linguistic tricks of lunatics in soccer strip are even matched by
hieroglyphs from coaches dressed in two piece suits, with
hearts on sleeves, grieving for the chances missed, pleading
with the referee for plays he did or didn’t see, for ploys that failed
to turn his head, for verdicts made and judgements dread.
And referees are equal keys to infamy or certain fame.
Then there’s the crowd, a seething throng of attitude and energy,
baying for their chosen team, living in a plastic dream of cinematic
death or glory; dressed in kind and cheering on, drinking, singing,
chanting long and loud the songs expressing hopes and fears of masses
pressed in servitude, praying for a famous win, praying to the soccer rood.
But referees are willing keys to all the prayers and eulogies.
How do you win? Why do you care? Theatrics grimace everywhere,
a game so crafted for the stage with pathos, bathos, great despair,
actors playing parts and reading scripts with human traits, protagonists,
antagonists, depicting gallant characters with artful flair,
it’s all encompassed there, entwined in referee maturity, so grin
and bear it friend, you see, it looks so good on home TV.

Eduardo Miranda – Guitarrista e fundador do grupo WEJAH, atualmente dirige o projeto musical The Virtual Em3, e é parte da banda Wellfish e do Stillwater Project. Publicou Quase (Casa Pyndahýba, 1998) e as coletâneas Amigos (Casa Pyndahýba, 1994) e Contra Lamúria (Casa Pyndahýba, 1995). Editor-mor da TUDA, dá expediente em alguns blogs por aí. Nas horas vagas é Consultor de Tecnologia da Informação em Dublin.

Eduardo Miranda – Lead guitar and co-founder of WEJAH, nowadays leads The Virtual Em3 project, is part of The Wellfish and contributes to the Stillwater Project. Has published Quase (Casa Pyndahýba, 1998) and the collections Amigos (Casa Pyndahýba, 1994) and Contra Lamúria (Casa Pyndahýba, 1995). Editor of the e-zine TUDA, he also writes in some blogs and works as ICT Consultant in Dublin.

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