Depressão ~ Matthías Johannessen

Matthias Johannessen nasceu em Reykjavík, a 3 de janeiro de 1930. Jornalista, poeta e escritor islandês, ganhou o prêmio de Estudos em Literatura Islandesa de 1955. Sua primeira coleção da poesia saiu em 1958 e atraiu considerável atenção de crítica e público. Desde então, como seu próprio editor, Matthias vem publicando muita poesia, bem como romances, contos, peças, livros acadêmicos e entrevistas. O poema aqui traduzido faz uma alusão à primeira-ministra Jóhanna Sigurðardóttir e à profunda recessão que assola o país.

Depressão

Ela se esparrama sobre o país como sombra,
Todas as velas se esvaem das casas em prantos
restam as luzes celestiais iluminando a hecatomba
supostamente mantendo a fidelidade aos humanos.

Esta tudo muito escuro, e o país continua
sob constantes ameaças e engodo
tudo é escuro, mais pesado que as lágrimas,
melhor que estas nos sejam tomadas logo.

A Depressão acercou-se, mas carrega um fardo,
onde quer que vá, tem seu caminho já traçado,
e nosso conforto está em saber que sempre
os olhos de Glam(*) irão fitá-la de frente.

(*) Grettir, o Poderoso é uma saga islandesa escrita no começo do Século XIV que narra as aventuras de um violento herói, e uma de suas aventuras é sobre um ser perigosíssimo, uma mistura de monstro e fantasma, chamado Glam. Esta aventura faz parte do imaginário fantasmagórico escandinavo e conta que antes de ser morto por Grettir, Glam roga uma praga no herói: “(…) você viverá para sempre no exílio de sí mesmo (…) sempre terá meus olhos diante de sí, e nunca mais vai querer ficar sozinho – e isso irá te acompanhar até o final dos tempos.” E Grettir aumentou sua fama de guerreiro corajoso ao matar Glam, mas nunca mais se atreveu a caminhar sozinho pelos bosques após o anoitecer, pois através de seus olhos via todos os tipos de horrores.

Kreppan
 
Hún liggur yfir landi eins og skuggi,
sem ljós við kerti slokknar sérhver gluggi
en himinljósin horfa niður og skína
og halda tryggð við langa vegferð þína.
 
Það dimmir mjög og landið liggur undir
lævísri ógn og villu nú um stundir,
allt er það myrkur þyngra en tárum taki,
tökum því vel því seinna kemur Laki.
 
Hnípin var sagt,en horfum fram á veginn,
hvar sem við förum þar er línan dregin,
hamingja þjóðar hennar von sem er
að horfast í augu við Glám í fylgd með sér.

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