Novo sermão negro (trecho) ~ Jacques Roumain

Price Henry, Island Village
acrylic on canvas, 16×20 inches (41x51cm)

Poeta haitiano do século XX, período em que intelectuais negros haitianos começaram a questionar sua relação com a Europa e a afirmarem suas raízes africanas, Jacques Roumain (1907-1944) foi um venerado escritor, político haitiano, grande defensor do comunismo no Haiti. Considerado uma das mais prominentes vozes da literatura haitiana, é pouco conhecido na língua inglesa, mas tem significante penetração na Europa, no Caribe e na América Latina. Embora tenha morrido muito jovem, Roumain explorou bem os temas da vida e da cultura haitiana.

(Trecho de) Novo sermão negro – Jacques Roumain
Eles cospem na tua cara preta
Senhor, amigo, camarada,
Tú, que vira a cara para a prostituta
Como uma cortina de juncos, os longos cabelos numa fonte de lágrimas

Eles fizeram,
os ricos, os hipócritas, os donos da terra, os banqueiros,
Fizeram seu deus sangrento a partir do sangue dos homens
Ó Judas infeliz
Ó Judas desgostoso:
O Cristo crucificado entre dois ladrões como o estopim do mundo
Acendeu a revolta de escravos
Mas hoje o Cristo habita a casa dos ladrões
De braços abertos em suas catedrais, sua carne exposta aos abutres
Enquanto nos porões dos mosteiros, os sacerdotes contam suas moedas
E sinos dobram nos campanários, anunciando a morte sobre a multidão faminta

Nós não os perdoaremos, porque eles sabem o que fizeram
Lincharam João, que organizou a União
Caçaram-no como um lobo magro, com cães pelos bosques
Penduraram-no, aos risos, no velho tronco de plátano
Não, irmãos, camaradas
Não oraremos mais
Ergue-se nossa rebelião como o grito dos pássaros sobre as águas agitadas dos pântanos fedorentos
Não cantaremos mais o desespero e a tristeza espiritual
Sai outra canção de nossas gargantas
Fincamos nossas bandeiras vermelhas
Manchadas com o nosso próprio sangue
E é sob esta bandeira que caminharemos
Sob esta bandeira caminharemos
Ergam-se, condenados da terra
Ergam-se, prisioneiros da fome.

Nouveau sermon nègre (extrait)

Ils ont craché sur Ta Face noire
Seigneur, notre ami, notre camarade
Toi qui écartas du visage de la prostituée
Comme un rideau de roseaux ses longs cheveux sur la source de ses larmes

Ils ont fait
les riches les pharisiens les propriétaires fonciers les banquiers
Ils ont fait de l’homme saignant le dieu sanglant
Oh Judas ricane
Oh Judas ricane:
Christ entre deux voleurs comme une flamme déchirée au sommet du monde
Allumait la révolte des esclaves
Mais Christ aujourd’hui est dans la maison des voleurs
Et ses bras déploient dans les cathédrales l’ombre étendue du vautour
Et dans les caves des monastères le prêtre compte les interêts des trente deniers
Et les clochers des églises crachent la mort sur les multitudes affamées

Nous ne leur pardonnerons pas, car ils savent ce qu’ils font
Ils ont lynché John qui organisait le syndicat
Ils l’ont chassé comme un loup hagard avec des chiens à travers bois
Ils l’ont pendu en riant au tronc du vieux sycomore
Non, frères, camarades
Nous ne prierons plus
Notre révolte s’élève comme le cri de l’oiseau de tempête au-dessus du clapotement pourri des marécages
Nous ne chanterons plus les tristes spirituals désespérés
Un autre chant jaillit de nos gorges
Nous déployons nos rouges drapeaux
Tachés du sang de nos justes
Sous ce signe nous marcherons
Sous ce signe nous marchons
Debout les damnés de la terre
Debout les forçats de la faim.

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