Wounded body ~ Donizete Galvão

Poeta e jornalista, Donizete Galvão se aproximou da poesia brasileira pela vertente modernista mineira, que lhe chegava por intermédio de um Suplemento Cultural de Minas Gerais. Nele, Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Henriqueta Lisboa, Dantas Motta, Murilo Mendes entre outros, derrubavam-lhe poesia. Mineiríssimo da gema, Donizete Galvão atualmente mora em São Paulo, e é uma das vozes mais expressivas da geração que começou a publicar nos anos 80. Com seis livros de poesia, Galvão participou de diversas antologias e é presença constante em revistas literárias. Entre suas preferências poéticas estão Kafávis, Yeats, Octavio Paz, Borges e Elizabeth Bishop. Na poesia brasileira contemporânea tem admiração pelo trabalho dos poetas Ivan Junqueira, Armando Freitas Filho, Hilda Hilst, Sebastião Uchoa Leite entre outros. Aponta também como exemplo da vitalidade da poesia brasileira as obras de Ruy Proença, Fábio Weintraub, Heitor Ferraz, Ronald Polito, Sérgio Alcides e Iacyr Anderson Freitas. Publicou Azul navalha (1988), As faces do rio (1991), Do silêncio da pedra (1996), A carne e o tempo (1997), Ruminações (2000), Mundo mudo (2003). O poema aqui traduzido é dedicado pelo autor a Evgen Bavcar, fotógrafo esloveno que, por mais estranho ou não usual que possa parecer, é cego. E se questionado, responde que “Mesmo um homem cego tem princípios ópticos, necessidades ópticas. Como alguém num quarto escuro, em busca de luz. É deste sentimento que tiro minha fotografia”.

 

A Shot against time, Evgen Bavcar

Wounded body
To Evgen Bavcar

I hope Klee’s distracted angel
protects those of incomplete body
sacrificed to the machine
mutilated by the war
thrown against the rocks

I hope he looks after the wounded body
hidden by words
enclosed by prosthesis
covered by masks

I hope Klee’s distracted angel
keep those cropped in the gearing
producer of ruins.

Corpo ferido
Para Evgen Bavcar

que o anjo distraído de Klee
proteja aqueles de corpo incompleto
sacrificados à máquina
mutilados pela guerra
jogados de encontro às rochas

zele pelo corpo ferido
oculto pelas palavras
preso em próteses
coberto por máscaras

que o anjo distraído de Klee
guarde aqueles colhidos na engrenagem
produtora de ruínas


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