A Estaca ~ Lluís Llach I Grande

Antoni Tàpies

Nascido em 7 de maio de 1948 em Girona, Catalunha, Espanha, Lluís Llach I Grande é um compositor catalão, um dos principais representantes da “Nova cançó” (Nova Canção), um movimento de músicos que desafiou a ditadura de Francisco Franco, com canções políticas numa época onde a língua catalã, juntamente com outras manifestações culturais da Catalunha opuseram-se ao regime. Llach se juntou ao grupo pioneiro “Nova cançó Els Setze Jutges” em 1967. Sua canção mais famosa é “L’Estaca”, gravada pela primeira vez em 1968, sobre uma pedaço de pau podre, prestes a ruir, como imagem dos últimos anos da ditadura de Franco. Esta canção tem sido um hino para muitos outros conflitos políticos ao longo dos anos.

A Estaca

O avô de Siset já dizia
de madrugada, no portão
enquanto esperava o sol nascer
observando os carros que passavam

Siset, você não vê a estaca
onde estamos todos amarrados?
Se não podemos nos desfazer dela
nunca mais poderemos andar!

Se a puxarmos, ela cairá
e não durará muito tempo,
certamente que cairá,
cairá,
cairá,
e assim será.

Se eu puxar com força aqui
e você puxar com força ali,
certamente ela cairá,
cairá,
cairá,
e poderemos ser livres.

Mas Siset, há muito
minhas mãos vêm pelejando
e quando minhas forças se vão
é que me sinto ainda mais forte.

Bem sei que já está apodrecida
mas às vezes, Siset, a pressão é tanta
que me esqueço da nossa força.
Devolva-me a voz para dizer:

Se puxarem tudo, ela cairá…

Se eu puxar com força aqui…

O avô de Siset já não diz mais nada
esse mal agouro que o assola,
ele que sabe aonde é a próxima parada
e eu aqui, no portão.

E enquanto passam os garotos moderninhos
esgano a garganta para cantar
a última canção de Siset,
a última que ele me ensinou.

Se puxarem tudo, ela cairá…

Se eu puxar com força aqui…

L’Estaca

L’avi Siset em parlava
de bon matí al portal
mentre el sol esperàvem
i els carros vèiem passar.

Siset, que no veus l’estaca
on estem tots lligats?
Si no podem desfer-nos-en
mai no podrem caminar!

Si estirem tots, ella caurà
i molt de temps no pot durar,
segur que tomba, tomba, tomba
ben corcada deu ser ja.

Si jo l’estiro fort per aquí
i tu l’estires fort per allà,
segur que tomba, tomba, tomba,
i ens podrem alliberar.

Però, Siset, fa molt temps ja,
les mans se’m van escorxant,
i quan la força se me’n va
ella és més ampla i més gran.

Ben cert sé que està podrida
però és que, Siset, pesa tant,
que a cops la força m’oblida.
Torna’m a dir el teu cant:

Si estirem tots, ella caurà…

Si jo l’estiro fort per aquí…

L’avi Siset ja no diu res,
mal vent que se l’emportà,
ell qui sap cap a quin indret
i jo a sota el portal.

I mentre passen els nous vailets
estiro el coll per cantar
el darrer cant d’en Siset,
el darrer que em va ensenyar.

Si estirem tots, ella caurà…

Si jo l’estiro fort per aquí…


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