[sem título] ~ Osip Mandelstam

Osip Mandelstam ~ Осип Мандельштам

Osip Mandelstam (janeiro de 1891 – dezembro de 1938) foi um poeta e ensaísta russo, um dos principais membros dos chamados poetas acmeistas, escola de poesia surgida em 1910 na Russia, cujo termo foi cunhado à partir do grego “acme”, que significa auge, apogeu. Os Acmeistas contrastavam o ideal da beleza ao “frenesi Dionísico” propagado pelos simbolistas russos. No Manifesto “A Manhã do Acmeismo” de 1913, Osip Mandelstam definiu o movimento como “uma ânsia de cultura mundial”.

O não-conformismo e as tendências anti-governistas de Mandelstam o levaram para a prisão em 1934, de onde foi logo liberado. Detido novamente em 1938, foi acusado de atividades contra-revolucionárias e condenado a cinco anos nos campos de correção, onde viria a morrer ainda em Dezembro daquele mesmo ano. A causa oficial da morte foi dada como “doença não especificada”.

A profecia de Mandelstam foi cumprida. Ele dizia que “Só na Rússia a poesia é respeitada – ela mata pessoas. Existe algum outro lugar onde a poesia seja tão freqüentemente motivo para assassinatos?” Nadezhda Mandelstam apresentou sua versão dos fatos da vida de seu marido no livro “Contra Toda Esperança” e mais tarde continuou com “A Esperança Abandonada”.

Após o fim da era Stalin, Osip Mandelstam foi reabilitado em 1956, quando foi absolvido das acusações formuladas contra ele em 1938. Em 28 de outubro de 1987 foi exonerado das acusações de 1934 e assim totalmente absolvido.


Armado como os braçais da Sociedade das Vespas
Cevando e arando a terra, arando a terra,
Pode até parecer importante e necessário
Mas em meu coração, me parece ser em vão.

Eu não sei pintar, eu não sei cantar,
Tampouco manejar o arco fúnebre do violino
Minha vida se resume em arar e procriar
E invejar a elite, capciosos insetos sociais.

Ah, quem dera pudesse um dia
Compelir – estupor e morte
Esporear no ar a exaltação do verão,
E entender o sentido deste arar, arar a terra…

Вооруженный зреньем узких ос,
Сосущих ось земную, ось земную,
Я чую все, с чем свидеться пришлось,
И вспоминаю наизусть и всуе.

И не рисую я, и не пою,
И не вожу смычком черноголосым:
Я только в жизнь впиваюсь и люблю
Завидовать могучим, хитрым осам.

О, если б и меня когда-нибудь могло
Заставить – сон и смерть минуя –
Стрекало воздуха и летнее тепло
Услышать ось земную, ось земную…

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